AME 2022 brindada pela chuva

AME 2022 brindada pela chuva

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Com abertura oficial da 8ª edição do Atlantic Music Expo na Assembleia Nacional, foi a vez do Plateau voltar a receber o festival após dois anos de paragem. A noite foi marcada pela atuação de vários artistas nacionais e internacionais, pela chuva mansa que se fez cair e que obrigou a organização a encerrar o AME antes do horário previsto e com uma atuação ainda por realizar.

O segundo dia dos showcases na capital do país começou no final da tarde desta terça-feira, 14, na Rua Pedonal com a atuação da artista Sandra Horta, natural da ilha de Santiago, que apresentou o seu novo EP “Primavera” composto por três temas que irão integrar o seu primeiro álbum de originais.

Atuar em casa foi para Sandra Horta uma partilha muito especial. “A energia maravilhosa que o público mostrou fez qualquer coisa aqui dentro e fez-me explodir ainda mais. Foi maravilhoso e, realmente, é algo de especial podermos ir juntos nesta viagem que tenho que levar a cada concerto”.

De seguida a atuação do cantor e compositor Bob Mascarenhas, natural de Calheta de São Miguel, que já marcou presença em outras edições do AME. O artista esteve acompanhado pela banda no palco da Pracinha Escola Grande onde brindou o público com temas como “Naia”, “Dizaforu di Mar”, que dedicou aos pescadores e peixeiras que desafiam o mar todos os dias, e ainda “Nha Terra Santa Catarina”.

“Foi muito bom atuar no AME após dois anos da sua paragem devido à pandemia. Pensei que estava enferrujado (risos), mas pelos vistos Bob ainda está novo. Esta edição veio dar-nos um grande impulso para continuarmos a divulgar o nosso trabalho para o mundo. Se não me engano, esta é minha terceira ou quarta vez no palco do festival e todos esses momentos foram produtivos para mim e tenho estado a fazer mais espetáculos fora do país do que cá, por causa deste mercado de música que nós os artistas temos que tirar proveito”, diz o artista que brevemente vai lançar um novo single no mercado.

Por volta das 20h20, quando o público regressou ao palco da Rua Pedonal para receber o músico e compositor maiense Adê Costa com o seu novo EP “Hello Cabo Verde”, lançado em finais de 2021 e que tem recebido críticas positivas da revista britânica especializada em World Music Songlines.

O artista, que subiu ao palco do AME pela segunda vez, levou o público ao rubro do início ao fim com temas como “Karabiloke”, “Branco na Preto”, tema que o trouxe pela primeira vez a capital do país, “Txeru Pitada” e encerrou com “Tabanka Santa Cruz”, “que é uma grande manifestação cultural da ilha do Maio”, para o delírio do público.

“Extraordinário” é assim que Adê Costa define a sua atuação na 8ª edição do Atlantic Music Expo. “O AME é um excelente palco, mas é uma pena que as atuações sejam breves – 30 minutos. Houve atrasos, mas o público recebeu-me de forma espetacular que nem estava à espera. Houve muita adesão das pessoas e é isso que é o mais importante. Acredito que conseguimos transmitir a mensagem”, diz o cantor.

Depois de ritmos nacionais, foi a vez da Kanazoé Orkestra, que se destaca como um dos pilares da música da África Ocidental, levar o público numa viagem aos ritmos de Burkina Faso e ao som do balafon.

“O show foi esplêndido e maravilhoso” diz o multi-instrumentista Seydou Diabate, ‘’Kanazoé ‘’, que atua pela primeira vez em Cabo Verde. “A música de base é a tradicional de Burkina Faso. A minha intenção é misturar a minha música com jazz, onde o balafon tem um papel importante. A minha intenção é tocar todas as pessoas”.

“Maloya”, o ritmo que fez chover na capital

É a primeira vez que está a pisar Cabo Verde e o palco do AME, e já ficou conhecido como Aurus, o artista que fez chover na Praia.

Natural da Ilha Reunião, Aurus cativou o público do início ao fim com a sua música que evoca o “Maloya” das suas raízes (música tradicional da Ilha de Reunião), com pop e música eletrônica, e pela sua ousadia em falar um pouco em crioulo cabo-verdiano. 

“Foi bom. Saímos do palco e o público enlouqueceu e sentimos o calor das pessoas. Sentimos uma calorosa receção. (…) Aqui há coisas que me lembram a minha ilha e uma delas é a energia verdadeira. E eu sei que aqui é um país com muitos ritmos e artistas. Estou orgulhoso de vir cá tocar a minha música para os cabo-verdianos”, diz e acrescenta que espera que o AME seja uma oportunidade para tocar em outros lugares no mundo com forma de divulgar a sua música.

Após apoiar outros artistas da noite no palco, a banda mindelense Pret &Bronk, composta por Khaly no piano, Vando no baixo, Enos Oliveira na guitarra e Bruno na Bateria, subiu ao palco para mostrar um pouco do seu trabalho instrumental.

“A banda tem uma longa história. É originária de outras bandas que tivemos no Mindelo, mas Pret & Bronk tem cerca de 1 ano e meio de existência. Para nós, o AME é uma grande janela de oportunidade e estamos com vontade de gravar e tocar em todos os palcos do país”, afirmou Khaly Angel no final da apresentação.

Já passava das 23h30, quando Augusto “Gugas” Veiga subiu ao palco para anunciar o adiamento do show de June Freedom para esta quarta-feira, 15, em hora a indicar, devido à chuva que estava a causar alguns estragos nos equipamentos no palco.

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